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A chegada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para substituir definitivamente o sistema PIS/Cofins a partir de 2027, tem levado empresas de diferentes setores a fazer um verdadeiro pente-fino em seus processos tributários. O motivo é direto: créditos acumulados ao longo dos anos podem representar valores expressivos para o caixa das companhias, mas, se não forem identificados, documentados e validados de forma adequada antes da transição, podem enfrentar dificuldades de aproveitamento e compensação no novo modelo.
A preocupação cresceu com o avanço da regulamentação da Reforma Tributária e das regras de transição para a CBS. Ainda que a legislação preserve a possibilidade de utilização dos créditos acumulados de PIS e Cofins, especialistas alertam que as empresas precisarão comprovar de maneira consistente a origem e a legitimidade desses valores para garantir o aproveitamento no novo ambiente tributário.
Segundo Roberto de Lázari, diretor da All Tax, empresa de tecnologia voltada à gestão tributária corporativa, o tema ganhou urgência porque a janela de preparação para a CBS está se estreitando. "Muitas organizações ainda possuem valores relevantes sem aproveitamento adequado por falhas operacionais, ausência de revisão técnica ou baixa integração entre áreas fiscal, financeira e tecnológica", afirma.
Além da mudança legislativa, o avanço da fiscalização digital também ampliou a pressão sobre as empresas. O cruzamento automatizado de informações fiscais, contábeis e financeiras elevou o grau de exigência quanto à qualidade dos dados tributários, tornando mais importante a revisão de documentos, parametrizações e controles internos.
Para o executivo, o desafio vai além do departamento fiscal: em muitas companhias de gestão tradicional, as informações tributárias estão espalhadas por diferentes sistemas, planilhas e até áreas distintas. Isso amplia o tempo necessário para consolidar os dados e aumenta o risco de inconsistências. Com a aproximação do prazo limite para converter os créditos, a governança passou a ganhar prioridade dentro das organizações. "Além da recuperação de valores, a mobilização busca reduzir riscos futuros durante a adaptação ao novo sistema", explica.
Como resposta a esse cenário, cresce nas organizações a adoção de auditorias tributárias, projetos de integração de dados e ferramentas de automação para mapear créditos, identificar inconsistências e reforçar a rastreabilidade das informações fiscais. O movimento acompanha uma tendência global de digitalização da gestão tributária e maior uso de tecnologia para compliance.
Para de Lázari, a transição deve ser encarada como uma oportunidade de revisar processos e fortalecer a gestão tributária. "A Reforma não impacta apenas o cálculo dos impostos. Ela exige maior qualidade de dados, integração entre áreas e capacidade de gestão das informações fiscais. As empresas que começarem essa preparação agora terão mais segurança para aproveitar seus créditos e reduzir riscos durante a transição", conclui.
Fonte: Com informações de Contábeis
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